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Crónicas da Programação – I


21h30

Os Cami­nhos come­çam a ser per­cor­ri­dos nesta XXI edi­ção no Audi­tó­rio do Con­ser­va­tó­rio de Música de Coim­bra. Para o nosso fes­ti­val, cinema não deve ser ape­nas mos­trado para ser visto e ouvido, mas tam­bém tem de for­ne­cer a semente ideal neces­sá­ria para esti­mu­lar o nas­ci­mento de novas obras. Sem essa esti­mu­la­ção, rapi­da­mente pode­ría­mos che­gar a um beco de não cri­a­ção – situ­a­ção con­tra a qual anu­al­mente luta­mos, com o nosso curso de cinema Cine­ma­lo­gia’ que tem o intuito de ins­truir todos os inte­res­sa­dos no mundo do cinema em pen­sar e criar um filme, for­ne­cendo-lhe as fer­ra­men­tas neces­sá­rias para o desen­vol­vi­mento dessa ideia.

Nesta edi­ção, o público con­firma que Nunca é Tarde’ para fazer cinema em Coim­bra, com a curta-metra­gem coor­de­nada por Artur Serra Araújo con­jun­ta­mente com os for­man­dos da última edi­ção do Cine­ma­lo­gia’. Numa cidade de mui­tos amo­res, o filme apre­senta-nos uma his­tó­ria de afecto entre duas men­tes que a pri­ori seriam incom­pa­tí­veis.

Em seguida, come­ça­mos a nossa Sec­ção Com­pe­ti­tiva Cami­nhos com Lei da Gra­vi­dade’. Como que res­pon­dendo à mai­o­ria dos luga­res-comuns par­ti­lha­dos pelos espec­ta­do­res super­fi­ci­ais de cinema por­tu­guês, a última curta-metra­gem de Tiago Rosa-Rosso apre­senta-nos per­so­na­gens de um filme por­tu­guês que se colo­cam em causa pelo pró­prio argu­mento exposto.

Esta pri­meira ses­são ter­mina com o docu­men­tá­rio Dr. Adrián e os 5 senho­res’, que leva o espec­ta­dor à linha entre o real e o fic­ci­o­nado, mer­gu­lhando-o no mundo da esqui­zo­fre­nia e da sua acei­ta­ção e tera­pia. Tudo den­tro de momen­tos não-lúci­dos inter­rom­pi­dos por fran­cos exem­plos de extrema luci­dez quanto à vida e o mundo que (n)os rodeia.


João Pais,
Selec­ção Cami­nhos