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Crónicas da Programação – II


15h00
Con­se­gui­mos extrair, atra­vés da aná­lise dos fil­mes pro­du­zi­dos em certa época, o estado actual das coi­sas. O cinema por­tu­guês pode fun­ci­o­nar como um género de mani­festo cul­tu­ral con­tra as coi­sas nefas­tas da situ­a­ção estag­nada do nosso país.
Abri­mos o segundo dia com um olhar in loco para uma pas­te­la­ria e a sua pro­du­ção pró­pria, atra­vés da curta-metra­gem de ani­ma­ção Espe­ci­a­li­dade da Casa’, de Mar­ga­rida Madeira.
A ses­são con­ti­nua com a aná­lise deste país euro­peu em crise que é Por­tu­gal, atra­vés do ter­ceiro volume de Mil e uma Noi­tes – O Encan­tado’ de Miguel Gomes, onde o rea­li­za­dor cons­trói uma fic­ção rica à base de uma rea­li­dade crua. Mais uma vez Xera­zade vem col­ma­tar a cobar­dia e a inca­pa­ci­dade dessa tarefa, acor­dando-nos para uma rea­li­dade fic­ci­o­nada.
17h30
Con­ti­nu­ando a abrir as ses­sões do dia com ani­ma­ções, é a vez de André Ruivo nos mos­trar O Campo à Beira Mar’, onde nos apre­senta o sur­gir do calor e da inva­são do Homem nas praias, como que pro­fa­nando uma faceta sagrada da natu­reza.
Não aban­do­nando as ani­ma­ções, con­ti­nu­a­mos com Papel de Embru­lho’ por José Miguel Ribeiro, uma curta des­ti­nada a todas as ida­des sobre os ele­men­tos-base pre­sen­tes em todos os natais: cri­an­ças, Pai Natal e papel de embru­lho.
Esta ses­são ter­mina com o docu­men­tá­rio As Troi­a­nas’ de Tiago Afonso, que nos mos­tra uma vera­ci­dade no Porto que decerto a mai­o­ria dos espec­ta­do­res des­co­nhe­cerá. De forma directa, o rea­li­za­dor acom­pa­nha o pro­cesso de demo­li­ção das tor­res do Bairro de Aleixo, apre­sen­tando-nos vários tes­te­mu­nhos daque­les que vive­ram inten­sa­mente esse fenó­meno social e urbano.
21h30
As ses­sões no Audi­tó­rio do Con­ser­va­tó­rio de Música de Coim­bra ter­mi­nam na ses­são das 21h30, com Capi­tão Fal­cão’ de João Lei­tão, que nos con­fronta com uma paró­dia sobre um suposto herói defen­sor da polí­tica sala­za­rista, pro­ta­go­ni­zado por Gon­çalo Wad­ding­ton. A luta con­tra os ini­mi­gos do estado são iro­ni­za­das nesta obra, desen­ro­lando pre­con­cei­tos e mitos e levando-os para uma suposta rea­li­dade (ape­sar de cómica).
Esta ses­são, mais uma vez, será aberta com uma ani­ma­ção. Desta feita uma curta-metra­gem de cariz docu­men­tal, sobre uma aná­lise (franca e não iro­ni­zada) efec­tu­ada por um grupo de jovens de Mon­te­mor-o-Novo que jun­ta­ram tes­te­mu­nhos daque­les que sobre­vi­ve­ram à dita­dura, mas­ca­rada por falsa demo­cra­cia.

João Pais,
Selec­ção Cami­nhos