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Crónicas da Programação – IV


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Afirma-se con­se­cu­ti­va­mente que tempo não é inten­si­dade. Nem sem­pre existe a carên­cia de pro­lon­gar a dura­ção de uma obra, quando o seu intento se acha sufi­ci­en­te­mente satis­fa­tó­rio em alguns minu­tos. Hoje o TAGV terá as suas ses­sões dedi­ca­das prin­ci­pal­mente a cur­tas, levando o espec­ta­dor a per­cor­rer cami­nhos de expres­si­vi­dade total­mente dis­tin­tos.

Real­ça­mos os fil­mes que nos reme­tem para o prisma do medo e das inqui­e­tu­des inter­nas. Em Arcana’, Jeró­nimo Rocha leva-nos a uma mas­morra de índole quase pagã, por ser mís­tica e heré­tica, onde fei­ti­ça­ria é cele­brada para auxí­lio de uma fuga.

Não só os medos do des­co­nhe­cido e do mundo espi­ri­tual inun­da­rão esta ses­são, que será pau­tada tam­bém pelos receios envol­tos na des­co­berta da sexu­a­li­dade e a sua liga­ção ao cres­ci­mento (em dife­ren­tes níveis). José Magro apre­senta-nos uma inqui­e­tude do cres­cer em Via­gem’.

Importa recor­dar que o Cinema Por­tu­guês nasce em todo o nosso ter­ri­tó­rio. Na ses­são das 17h30 voa­mos até à vida aço­ri­ana. Aqui o sagrado e o pro­fano jun­tam-se num ritual único de fé, par­ti­lha e encon­tro com o Divino, que é feito há mais de 500 anos. Dor e feli­ci­dade inun­dam os len­ços ao pes­coço, que são gui­a­dos pelo bor­dão e terço na mão. Em Irmãos’, Pedro Man­gano apre­senta-nos dos mais puros docu­men­tá­rios sobre os Aço­res.

Pelas 21h30 con­ti­nu­a­mos com o sin­cre­tismo das artes pelo cinema, onde temas como o dis­sí­dio entre o ana­ló­gico e o digi­tal são dis­cu­ti­dos. Em Outu­bro Aca­bou’ Karen Aker­man e Miguel Sea­bra Lopes mos­tram-nos um filme que exibe os anseios e frus­tra­ções dos artis­tas, aqui repre­sen­tado pelo jovem artista.

Dá-se relevo e aten­ção para A Gló­ria de Fazer Cinema em Por­tu­gal’, que se baseia na cor­res­pon­dên­cia entre José Régio e Alberto Serpa, sobre a von­tade de fun­dar (em 1929) uma pro­du­tora e come­çar a fazer cinema. Esta cor­res­pon­dên­cia mis­te­ri­osa é-nos apre­sen­tada jun­ta­mente com um espó­lio de mate­rial que, jun­tos, nos apre­sen­tam uma his­tó­ria em cinema e de cinema.

A ses­são ter­mina com O Indis­pen­sá­vel Treino da Vagueza’ de Filipa Reis e João Mil­ler da Guerra, que nos remete mais para o pro­cesso de cri­a­ção do artista (base­ando-se na expe­ri­ên­cia da Ar​.Co) do que da obra em si.

João Pais,
Selec­ção Cami­nhos