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Crónicas de Programação – VIII


17h30
A espe­rança e amor são dois sen­ti­men­tos que, ali­a­dos, tor­nam pos­sí­vel todas as coi­sas raci­o­nal­mente inal­can­çá­veis. Con­ti­nu­a­mos com a temá­tica Amar de todas as for­mas’¸ mos­trando que a pai­xão por alguém ou algo con­se­gue mover este cami­nho emo­ci­o­nal que é o amor.
Na curta-metra­gem Maria’, Joana Vie­gas mos­tra-nos um amor incon­di­ci­o­nal, que que­bra a bar­reira da vida e da morte. O sobre­na­tu­ral cos­tuma ser o último grito de deses­pero de mui­tos e é o que ocorre nesta obra, aquando da ten­ta­tiva de man­ter um amor por uma filha, mesmo que seja resul­tado de um bizarro pacto demo­níaco.
Já Leo­nardo Antó­nio, com a sua longa O Frá­gil Som do Meu Motor’ começa por nos colo­car dúvi­das exis­ten­ci­ais que nos reme­tem para a ima­gem clás­sica do bebé filo­so­fi­ca­mente pen­sante, que serve de olhos ini­ci­ais deste filme. Entra­mos num mis­té­rio intenso, que nos leva tanto ao pata­mar do amor como da trai­ção, ques­ti­o­nando-nos sobre valo­res que con­si­de­ra­mos abso­lu­tos. Todas as per­so­na­gens têm uma razão de ser, uma pista para inter­pre­ta­ção do pas­sado do pro­ta­go­nista e expla­na­ção do seu pre­sente. Envol­vente.
22h00
O amor pelos ani­mais é uma forma de amar em sen­tido amplo. O lobo foi subs­ti­tuído pelo domés­tico cão há bas­tante tempo, sofrendo de uma camada de pre­con­cei­tos sobre o seu ser, mais peri­go­sos que ele mesmo. Na ani­ma­ção de Marina Palá­cio, encon­tra­mos Raquele Sil­ves­tre, a pas­tora’, que tem como garan­tida uma ami­zade indi­fe­rente, que na ver­dade é a mais leal de todas.
Ricardo Mar­tins’, mos­tra-nos na sua curta-metra­gem O Que Eu Entendo por Amor’ um amor não em deca­dên­cia, mas numa rela­ção sepa­rada pela morte. No momento em que a pro­ta­go­nista ques­ti­ona sobre esse fim, memó­rias e dese­jos da sua vida são encar­na­dos em si mesma, quase que ins­pi­rado na his­tó­ria de romeu e Juli­eta, mas ver­são sénior.
Ami­zade tam­bém é uma forma de amor, porém quando não se sente amor por si mesmo, o resul­tado é uma soli­dão abso­luta mesmo que acom­pa­nhado, como vemos na curta Tor­res’ por André Gui­o­mar. A per­so­na­li­dade molda-se nesta fase de tran­si­ção e o meio influ­en­cia-a.
A ses­são ter­mina com O Grande Kilapy’ de Zézé Gam­boa, que nos mos­tra a his­tó­ria de um bom malan­dro com muito amor para dar. Ape­sar de ser mes­tre em gol­pes, esque­mas e bur­las, o pro­ta­go­nista é uma pes­soa sim­ples com noções reais de ami­zade e des­pre­con­ceito.

João Pais,
Selec­ção Cami­nhos

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