João Pais,
Começamos a sessão da tarde com a curta-metragem ‘Canal’, onde a realizadora Rita Nunes nos mostra o sentimento de atracção instantânea entre dois jovens, que polarizam a liberdade e a caça, ao mesmo tempo que descobrem o que é a partilha. Partilha de tempo, partilha de sentimentos, partilha daquele canal que os une por momentos e é motivo de rito de passagem num clima alentejano.
Ainda com temperatura de verão, Adriano Mendes estreia-se com ‘O Primeiro Verão’ mostrando-nos uma relação jovem, ingénua, à parte do mundo e do tempo. É oportunidade de sentir aquela estação como se da primeira vez se tratasse, com associação de novos sentimentos que se encontravam escondidos no ser emocional de ambos. Eles estão a amadurecer, conjuntamente com uma panóplia de novos conhecimentos concatenados pelo espírito de liberdade e juventude eterna dentro dos seus corações. Vindo o fim do verão, há que cuidar e manter aquilo elevado pelo mais quente do sol.
Normalmente costumamos saber o ponto de vista de apenas uma personagem, mesmo quando um filme mostra mais do que um, o que por vezes se torna extemporâneo. Não é o que ocorre em ‘Coro dos Amantes’, onde Tiago Guedes nos mostra a realidade de uma relação, onde pensamento e fala se misturam com uma conversa telepática amorosa. O pânico e o medo de perda unem esta história, num limbo entre a morte e o sonho.
A noite está associada ao mistério, é o que o espectador terá em ‘A Vida Invisível’ de Vitor Gonçalves, ao mesmo tempo que presencia um diálogo entre receio de não saber o suficiente, com a lucidez de que nunca se deve saber tudo. Simultaneamente assistimos a um filme dentro de outro, com fitas de 8mm que nos ajudam a desvendar o mistério que reside na obscuridade do próprio existir.
Selecção Caminhos
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