8ª Crónica

Aprender cinema

Para o melhor e o pior, as escolas de cinema constituem os ninhos privilegiados dos cineastas que sucederão à geração actual e cujo cinema poderá (ou não) revolucionar uma situação calcificada que tende a manter-se no futuro próximo, com as consequências que são por demais conhecidas: cinema “independente” dependente de subsídio, espectadores alheados do seu próprio cinema que nada lhe diz, colonização cultural quase absoluta por parte do cinema mainstream importado maioritariamente feito pelas produtoras americanas.

 

Importa seguir com alguma atenção o cinema que se vai fazendo nas escolas e que fornece boas indicações sobre aquilo com que poderemos contar num futuro mais ou menos próximo e para isso, tanto a secção “Ensaios Visuais” dos Caminhos do Cinema Português, quanto a 3ª Mostra Internacional de Escolas de Cinema organizada pela Escola Superior Artística do Porto, desde anteontem e até domingo próximo, fornecem dados significativos.

A mostra da ESAP conta com a participação da Universidade Moderna, do Instituto Politécnico do Porto, da Universidade Lusófona, da Universidade Católica, da Escola Superior de Teatro e Cinema, na Hogeschool Sint-Lukas (Bélgica), da ESAV (França), na New York Film Academy e da escola anfitriã, permitindo pôr em confronto o que por cá se faz com filmes produzidos em escolas estrangeiras, num total de 42 filmes, dos quais 29 portugueses.

Os “Ensaios Visuais” dos Caminhos propõem-nos 51 filmes das diversas escolas portuguesas, uma razoável amostragem, se tivermos em conta que o catálogo do ICAM deste ano refere um total de 101 filmes, produzidos pelo conjunto das escolas de cinema no nosso país.

Tal como o 3º FEST de Espinho, realizado na segunda semana deste mês de Abril, a Mostra e os Caminhos constituem incontornáveis palcos do cinema de escolas, espaços privilegiados de divulgação do que se faz nas nossas escolas, anunciadores do cinema do futuro que, a nosso ver, terá de descobrir a via para chegar junto dos espectadores, cumprindo a vocação por excelência do cinema – divertir - e devolvendo ao cinema o estatuto que o notabilizou no primeiro século de vida, fazendo dele a arte mais democrática do século XXI.