Arranca Hoje

Come­çam hoje os Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês, e a ques­tão que me coloco, à seme­lhança da que se coloca muita gente é: como esta cidade aco­lhe os even­tos cul­tu­rais que aqui se rea­li­zam? Quando esta cidade reclama cons­tan­te­mente a exis­tên­cia de even­tos, quando se pro­clama a uma voz que não existe uma polí­tica cul­tu­ral para a cidade, onde estão essas vozes na hora de par­ti­ci­par nas acti­vi­da­des pro­du­zi­das e rea­li­za­das pelos diver­sos agen­tes locais.

O con­forto do sofá supera a par­ti­ci­pa­ção nos even­tos, e surge-me esta ques­tão pre­ci­sa­mente hoje, quando se ini­cia uma nova edi­ção dos Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês. Pre­tendo desta forma fazer um apelo inequí­voco a popu­la­ção de Coim­bra para par­ti­ci­par de forma activa no fes­ti­val. Que se venham ver fil­mes, que se venha dis­cu­tir com os cri­a­do­res e dessa forma se possa com­pre­en­der e quiçá influ­en­ciar o rumo do cinema por­tu­guês. Pre­ten­de­mos que os cami­nhos sejam tri­lha­dos por todos, pois só assim fará sen­tido, este evento, nesta cidade.

Os cami­nhos são cons­ti­tuí­dos por diver­sas lógi­cas de pro­gra­ma­ção que pre­ten­dem satis­fa­zer os gos­tos e as neces­si­da­des de um público-alvo glo­bal, e a pró­pria filo­so­fia do evento enquanto retros­pec­tivo no que toca à sec­ção com­pe­ti­tiva, abarca com cer­teza todo o tipo pre­fe­rên­cias. Não se pre­tende que o fes­ti­val se esgote num estilo cri­a­tivo. Enten­de­mos que é nosso dever mos­trar todo o cinema por­tu­guês desde o mais auto­ral ao mais comer­cial. E os públi­cos que nos conhe­cem sabem disso, que se podem expres­sar sobre o que viram e de uma forma clara mos­trar o agrado, ou desa­grado, na forma como a poli­tica de apoios à cri­a­ção está a ser gerida neste país, votando no ven­ce­dor do Pré­mio do Público.

Assim par­ti­cipe acti­va­mente no fes­ti­val, nas ses­sões com­pe­ti­ti­vas, nas acções de for­ma­ção, nos coló­quios, nos cami­nhos juni­o­res, nos ensaios visu­ais e nas ses­sões de cinema euro­peu que de forma a não haver des­cul­pas são grá­tis. Fica o apelo sen­tido, para que a vida cul­tu­ral desta cidade não perca um dos seus even­tos con­so­li­da­dos.