Caminhos Juniores

Ini­ciou-se ontem, dia 23, a sec­ção Cami­nhos Juni­o­res, parte inte­grante dos Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês, e que con­siste numa série de ses­sões mati­nais, dedi­ca­das aos mais novos, e que se rea­li­za­rão no Tea­tro Aca­dé­mico Gil Vicente, nos dias 24, 2627. Serão exi­bi­dos vários fil­mes, grande mai­o­ria do for­mato curta-metra­gem de ani­ma­ção, que têm como público-alvo cri­an­ças entre os 3 e 10 anos. Porém, tal não sig­ni­fica que adul­tos não sejam per­mi­ti­dos. No pro­grama, que conta com um leque de rea­li­za­do­res de renome naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal, há ópti­mos exem­plos de fil­mes de ani­ma­ção, para todos os gos­tos.

Ini­ci­a­ti­vas como esta são impor­tan­tes na medida em que per­mi­tem criar nas cri­an­ças já desde os pri­mei­ros anos o gosto de ir ao cinema. Estas ses­sões ser­vem tam­bém como exem­plo de como o cinema pode mui­tas vezes ser um óptimo ins­tru­mento de auxí­lio à edu­ca­ção. Hoje em dia, mui­tos fil­mes infan­tis, e tal não se limita aos de ani­ma­ção, têm sem­pre uma espe­cial aten­ção em se criar neles uma dimen­são edu­ca­tiva. Assim, aca­bam então não só por entre­ter o público mais jovem, como impri­mem igual­mente um sen­tido edu­ca­ci­o­nal, seja para uma ver­tente mais social/​moral, seja para fins esco­lás­ti­cos.
Porém, actu­al­mente, a mai­o­ria dos ins­ti­tu­tos edu­ca­ci­o­nais parece não com­pre­en­der que atra­vés das artes cri­a­ti­vas actu­ais, entre os quais conta-se não só o cinema, mas tam­bém a música e o tea­tro, existe sem­pre um pode­roso ins­tru­mento edu­ca­ci­o­nal. Infe­liz­mente, tais artes são enten­di­das sobre­tudo como acti­vi­da­des recre­a­ti­vas. E, se bem que tais artes dão a enten­der que pro­cu­ram sem­pre entre­ter ou dis­trair os públi­cos, a ver­dade é que há, den­tro delas, um lado posi­tivo que tais públi­cos podem reti­rar, uma lição ou sen­tido pro­fundo a apre­en­der e apren­der, não a igno­rar.
Ao cinema, mesmo sendo uma arte recre­a­tiva, é-lhe impos­sí­vel escon­der o seu fun­da­mento edu­ca­ci­o­nal. E tal sen­tido edu­ca­tivo é espe­ci­al­mente latente nos fil­mes apon­ta­dos para um público infan­til. E, se bem que o público mais novo se encon­tra hoje mais incli­nado para espec­tá­cu­los tele­vi­si­vos, é indis­cu­tí­vel que uma ida ao cinema é sem­pre algo mais único do que ficar fechado em casa a ver tele­vi­são. Assim, neste aspecto, os Cami­nhos Juni­o­res são sem dúvida uma boa aposta, não só para os mais novos, mas tam­bém para os seus edu­ca­do­res. Pode ser que apren­dam algo.