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Caminhos do terror e fantástico português”



O Caminhos do Cinema Português, nas palavras de Alexandre Cebrian Valente, “é, talvez, o festival mais genuíno feito em Portugal, feito por amigos e por pessoas que não dormem”.

Na passada quarta-feira, pelas 10 horas, teve início mais uma sessão dos Caminhos Juniores. As crianças mostraram-se cativadas com a escolha das curtas-metragens apelativas e educativas, aplaudindo sempre que uma terminava.

Para além de um conteúdo educativo histórico e geográfico, as sessões seleccionadas também mostram grandes lições sobre a vida. Exemplo disso é a curta-metragem “O Relógio de Tomás”, realizada por Cláudio Sá, que mostra como é importante aproveitar cada tique-taque da vida. Ensina que “uma grande desvantagem de termos pressa é o tempo que isso nos faz perder”.

A primeira Selecção Caminhos do dia contou com a exibição, no Teatro Académico de Gil Vicente, de duas curtas e uma longa-metragem com caras já bastante conhecidas por parte do público português.


Realizada por Ana Almeida, “Videoclube” retrata a mudança do VHS para DVD. Apesar de todas as vantagens que a visualização em DVD proporciona, Margarida (Daniela Love) – jovem aficionada pelas cassetes – não admite que estas sejam vendidas. É desta forma que Tiago (Tiago Jácome), dono do videoclube, se alia a Margarida e cumprem a missão de distribuir as cassetes pelas pessoas que mais vezes as alugaram. Esta curta-metragem foi filmada na cidade invicta e parcialmente financiada pela plataforma de crowdfunding Indiegogo.

Alex e Liliane foi a segunda curta exibida e a história gira em torno de um casal vencedor de um reality show nacional. Não só ganharam uma Playstation, mas também a possibilidade de gravar um disco, tendo como referência êxitos da Broadway. Sete anos passados e o casal conserva a playstation como se de um membro da família se tratasse. Ao longo de 15 minutos, os actores Beatriz Batarda e Pedro Giestas representam a vida de um relacionamento que se afoga na frustração de não ver um sonho realizado. Alex e Liliane foi criada em 2009 e o realizador, Fernando Centeio, mostrou-se satisfeito por vê-la “fora da gaveta”.


Sete Pecados Rurais, realizado por Nicolau Breyner, apresenta-nos a vida de Zé e Quim que pretendem reviver um verão tórrido passado com as primas. Quando se dirigiam a Lisboa, com a finalidade de trazer as primas para Curral de Moinas, o inesperado acontece – chocam frontalmente com um rebanho de ovelhas e quando acordam estão no céu. Deus afirma que há uma possibilidade de regressarem à Terra, mas não podem cometer, durante um dia, um pecado capital. Quando voltam a Curral de Moinas vêm as suas vidas rodeadas de pecados aos quais terão de renunciar. João Pedro Rodrigues e Pedro Alves são os actores principais, mas esta longa-metragem conta também com a participação especial de Paulo Futre e Quim Barreiros.

A sessão terminou após algumas explicações das obras e palavras de agradecimentos por parte de realizadores e actores.


O serão foi marcado pelo “terror e fantástico português” que albergou, no TAGV, a longa-metragem de comédia negra “Eclipse em Portugal” de Alexandre Cebrian Valente e as curtas “Toda a Serra tem sua Bruxa”, “Fatale”, “Longe do Éden” e “O Coveiro”. No final da sessão, houve espaço para debate com a presença da actriz Vânia Fernandes e dos  realizadores Ana Seia de Matos, Luís Belo, L. Filipe dos Santos, Dário Ribeiro, Carlos Amaral e Alexandre Cebrian Valente.

“Eclipse em Portugal” é baseado no parricídio que marcou Ílhavo em 1999 e que é reinventado na história por Pedro Fernandes, Sofia Ribeiro, FF, Ricardo Carriço e Fernanda Serrano, entre outros, pela mão de Alexandre Cebrian Valente. O realizador considera-se culpado “pela última estupidez que viram” mas afirma gostar imenso do que faz e que “é uma dádiva poder fazer cinema desta forma e trabalhar com amigos”. Assegura que “felizmente, há público e público para todo o cinema”.

A curta “Toda a Serra tem sua Bruxa” foi inspirada em três dos romances de Aquilino Ribeiro e produzida em 48 horas num âmbito de um concurso cujo objectivo era não só começar e terminar uma curta-metragem mas ainda um website, um cartaz e fotografias. Realizado por Ana Seia de Matos, L. Filipe dos Santos e Luís Belo foi uma tentativa de, nas palavras deste último, “usar um pouco a linguagem de Aquilino Ribeiro mas também deixar transparecer o seu lado mais intelectual”; confessa que a curta “acabou por sair metade daquilo que pretendíamos por causa das limitações do tempo”.

Com a curta duração de 6 minutos, “Fatale”, de Dário Ribeiro, retrata uma perseguição policial em busca de uma assassina através de um inquérito a Ângela. Dário Ribeiro confirma que a realização da curta “não foi fácil”, acrescentando que “é sempre difícil falar de fazer cinema em Portugal”; “Fatale” é o primeiro filme de Dário Ribeiro.


Realizado por Carlos Amaral, “Longe do Éden” é uma curta que toma lugar num cenário pós-apocalíptico e que reproduz a vida de um sobrevivente que vive na ânsia de encontrar um sítio onde a vida era como antes. Num total de 6 dias de rodagem, Carlos Amaral revela ter-se divertido ao realizar o filme e sublinha que “foi produzido no âmbito de Guimarães 2012”. No futuro, o realizador pensa desenvolver um filme de ficção científica.

O filme animado “O Coveiro” é uma curta que conta a história de um coveiro e de uma rapariga adormecida que desperta para o amor. Foi realizado por André Gil Mata e é narrado melodicamente em rima.

Os realizadores convidados elogiaram, no debate final, a organização do Festival Caminhos do Cinema Português: Dário Ribeiro deseja que existam “pelo menos, mais vinte edições” e Alexandre Cebrian Valente considera que o Festival “é, talvez, o festival mais genuíno feito em Portugal, feito por amigos e por pessoas que não dormem”. Numa sala bem composta e animada foi, deste modo, encerrado o sexto dia do Festival Caminhos do Cinema Português.

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