Cinema e Outras Artes

Dia 22 – Quarta-feira
18h TAGV – Foyer
2. Cinema e Outras Artes: Prá­ti­cas Artís­ti­cas

Mode­ra­dor: Abí­lio Her­nan­dez Car­doso
Con­fe­ren­cis­tas: Isa­bel Nogueira e Luci­ana Fina


Cinema e Outras Artes: Prá­ti­cas Artís­ti­cas [ou o céu como limite]

Um dia acon­te­ceu. Nos anos ses­senta, na sequên­cia dos expe­ri­men­ta­lis­mos das cha­ma­das van­guar­das his­tó­ri­cas das duas pri­mei­ras déca­das do século XX, e depois ainda das expe­ri­ên­cias de Mar­cel Duchamp, toma corpo a desig­nada segunda escola das van­guar­das – van­guarda tar­dia ou neo­van­guarda. Desen­volve-se prin­ci­pal­mente no segui­mento da pop art, colo­cando em evi­dên­cia não a von­tade de revo­lu­ci­o­nar mas de assu­mir a pos­sí­vel pul­ve­ri­za­ção da arte, ou seja, o fim da sua jor­nada uní­voca e uni­di­rec­ci­o­nada da época dos mani­fes­tos”. A arte des­cen­tra­li­zara-se, frag­menta-se e tor­nara-se esta­blish­ment, a qual, ape­sar de des­li­gada de uma certa uto­pia, con­ti­nu­a­ria a revo­lu­ci­o­nar as gra­má­ti­cas artís­ti­cas.
Pas­sava-se do heroísmo a um anti-heroísmo. A arte era a vida e a vida era a arte. Sem medi­a­ção. E é jus­ta­mente neste pul­sar directo e vis­ce­ral que vão acon­te­cer das mais notá­veis mani­fes­ta­ções artís­ti­cas do século XX, nome­a­da­mente pelo desa­pa­re­ci­mento de pudor na mis­tura de lin­gua­gens e supor­tes – de cariz tra­di­ci­o­nal e outros, que entre­tanto sur­gem, como o vídeo –, ou na uti­li­za­ção do corpo, que mar­ca­riam um cami­nho de não retorno. Feliz­mente.

Isa­bel Nogueira

Licen­ci­ada em His­tó­ria da Arte (Facul­dade de Letras da Uni­ver­si­dade de Coim­bra), Mes­tre em Teo­rias da Arte e Dou­to­rada em Belas-Artes, área de espe­ci­a­li­za­ção em Ciên­cias da Arte (Facul­dade de Belas-Artes da Uni­ver­si­dade de Lis­boa).
Entre 20042006 foi assis­tente con­vi­dada na Licen­ci­a­tura em Estu­dos Artís­ti­cos na Facul­dade de Letras da Uni­ver­si­dade de Coim­bra. É cura­dora de expo­si­ções e desen­volve tra­ba­lho de investigação/​pósdoutoramento no Cen­tre d’Arts Plas­ti­ques et Sci­en­ces de l’Art/Université Paris 1 Panthéon Sor­bonne.
Tam­bém tra­ba­lha como pro­fes­sora adjunta con­vi­dada no Ins­ti­tuto Supe­rior de Edu­ca­ção e Ciên­cias em Lis­boa e inves­ti­ga­dora do Cen­tro de Estu­dos Inter­dis­ci­pli­na­res do Século XX/​CEIS20/​Universidade de Coim­bra.

A Arte do Cinema – Migra­ções do gesto cine­ma­to­grá­fico

Que momento da Arte do Cinema é este, em que os cine­as­tas abrem a hipó­tese de uma mise-en-espace da sua obra, e em que tão nume­ro­sos são os artis­tas que optam pela ima­gem em movi­mento, vas­cu­lhando na maté­ria e na memó­ria cine­ma­to­grá­fica?
Empe­nhada em pri­meira pes­soa nas migra­ções do gesto cine­ma­to­grá­fico da sala obs­cura para o espaço do museu, Luci­ana Fina abre uma refle­xão sobre a recon­fi­gu­ra­ção do objecto fíl­mico e uma reno­vada dia­léc­tica com o campo das artes.

Luci­ana Fina

Tra­ba­lha ini­ci­al­mente como pro­gra­ma­dora de cinema, em Itá­lia e Por­tu­gal, cola­bo­rando prin­ci­pal­mente com a Cine­ma­teca Por­tu­guesa, de 19911998. Em 1998 rea­liza o seu pri­meiro docu­men­tá­rio. Focando a refle­xão na rela­ção do cinema com as outras artes, move requen­te­mente a sua cri­a­ção para o campo das artes visu­ais.
A par­tir de 2003, tem con­cen­trado o seu tra­ba­lho na cons­ti­tui­ção de uma gale­ria de retra­tos fíl­mi­cos, tendo regu­lar­mente exposto as suas ins­ta­la­ções em con­texto naci­o­nal e inter­na­ci­o­nal.

Mode­ra­dor
Abí­lio Her­nan­dez Car­doso

É dou­to­rado em Lite­ra­tura Inglesa na Facul­dade de Letras da Uni­ver­si­dade de Coim­bra e pro­fes­sor de cinema na mesma facul­dade. É tam­bém Direc­tor do Colé­gio das Artes – uma uni­dade orgâ­nica da Uni­ver­si­dade de Coim­bra voca­ci­o­nada para a arte con­tem­po­râ­nea e na liga­ção desta com a arqui­tec­tura, o cinema e artes per­for­ma­ti­vas. Actu­al­mente, lec­ci­ona as cadei­ras Argu­mento Cine­ma­to­grá­fico e Cinema e Outras Artes no mes­trado de Estu­dos Artís­ti­cos.