Cineshot por Paulo Abrantes

Con­junto de foto­gra­fias que direc­ci­o­nam o olhar para o ima­gi­ná­rio cine­ma­to­grá­fico e são um tri­buto do autor a todos os fotó­gra­fos e rea­li­za­do­res que tive­ram neces­si­dade, e enge­nho, de por em dia­logo a foto­gra­fia e o cinema. Foto­gra­fia está­tica, ou o suces­sivo movi­mento de ima­gens? Há fotó­gra­fos que fazem (ou fize­ram) cinema, em geral docu­men­tá­rio e cur­tas-metra­gens, casos de Paul Strand, Robert Frank, Sarah Moon, entre outros. De sali­en­tar o foto­grafo por­tu­guês Daniel Blau­fuks, várias vezes apre­sen­tado pelos Encon­tros de Foto­gra­fia de Coim­bra, e pre­mi­ado nos Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês com a curta-metra­gem Black & White.

Em rea­li­za­do­res de cinema, e em ple­nos anos 30, Fred Zin­ne­mann foto­grafa a oní­rica e noc­turna Nova Ior­que. Andrei Tar­kovsky, Wim Wen­ders e Abbas Kia­ros­tami são outros gigan­tes da rea­li­za­ção que viram na foto­gra­fia um com­ple­mento à sua obra. O olhar voyer do fotó­grafo já ori­gi­nou algu­mas obras-pri­mas da 7ª arte; Naked City (1948), de Jules Das­sin, ins­pi­rada nas foto­gra­fias de Wee­gee, Funny Face (1957) de Stan­ley Donen e Fred Astaire em cola­bo­ra­ção de Richard Ave­don, e o emble­má­tico Blow-up (1966) de Anto­ni­one.

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p style=“text-align: jus­tify;” class=“MsoNormal” align=“justify”>A todos estes nomes o autor acres­centa e des­taca Stan­ley Kubrick (19281999), cuja obra foto­grá­fica foi recen­te­mente reve­lada no fas­ci­nante livro de Rai­ner Crone: Stan­ley Kubrick, Drama and Sha­dow: Pho­to­graphies 1945 – 1950. Kubrick come­çou a foto­gra­far na ado­les­cên­cia e aos 17 anos teve a sua pri­meira foto­gra­fia publi­cada na LooK”. Foi ao ser­viço desta revista que Kubrick foto­gra­fou Por­tu­gal em Maio de 1945. Sem­pre soube que o seu des­tino era o cinema. Segundo ele para fazer um filme não é pre­ciso saber quase nada, mas é pre­ciso saber foto­gra­fia. O seu tra­ba­lho para a Look”, onde era res­pei­tado como um jovem fotó­grafo de grande talento, fez parte dessa apren­di­za­gem. Como rea­li­za­dor de mui­tas obras-pri­mas, todas dife­ren­tes e sin­gu­la­res, Kubrick era fun­da­men­tal­mente um fotó­grafo e um cine­ma­tó­grafo (no sen­tido ame­ri­cano do termo). No seu ultimo filme, Eyes Wide Shut, Tom Cruise pára num qui­os­que para com­prar um jor­nal. O enqua­dra­mento cita a sua pri­meira foto­gra­fia publi­cada. No fim, estava o prin­cí­pio.