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Crónicas da Programação – IV


30/11
Afirma-se consecutivamente que tempo não é intensidade. Nem sempre existe a carência de prolongar a duração de uma obra, quando o seu intento se acha suficientemente satisfatório em alguns minutos. Hoje o TAGV terá as suas sessões dedicadas principalmente a curtas, levando o espectador a percorrer caminhos de expressividade totalmente distintos.

Realçamos os filmes que nos remetem para o prisma do medo e das inquietudes internas. Em ‘Arcana’, Jerónimo Rocha leva-nos a uma masmorra de índole quase pagã, por ser mística e herética, onde feitiçaria é celebrada para auxílio de uma fuga.

Não só os medos do desconhecido e do mundo espiritual inundarão esta sessão, que será pautada também pelos receios envoltos na descoberta da sexualidade e a sua ligação ao crescimento (em diferentes níveis). José Magro apresenta-nos uma inquietude do crescer em ‘Viagem’.

Importa recordar que o Cinema Português nasce em todo o nosso território. Na sessão das 17h30 voamos até à vida açoriana. Aqui o sagrado e o profano juntam-se num ritual único de fé, partilha e encontro com o Divino, que é feito há mais de 500 anos. Dor e felicidade inundam os lenços ao pescoço, que são guiados pelo bordão e terço na mão. Em ‘Irmãos’, Pedro Mangano apresenta-nos dos mais puros documentários sobre os Açores.

Pelas 21h30 continuamos com o sincretismo das artes pelo cinema, onde temas como o dissídio entre o analógico e o digital são discutidos. Em ‘Outubro Acabou’ Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes mostram-nos um filme que exibe os anseios e frustrações dos artistas, aqui representado pelo jovem artista.

Dá-se relevo e atenção para ‘A Glória de Fazer Cinema em Portugal’, que se baseia na correspondência entre José Régio e Alberto Serpa, sobre a vontade de fundar (em 1929) uma produtora e começar a fazer cinema. Esta correspondência misteriosa é-nos apresentada juntamente com um espólio de material que, juntos, nos apresentam uma história em cinema e de cinema.

A sessão termina com ‘O Indispensável Treino da Vagueza’ de Filipa Reis e João Miller da Guerra, que nos remete mais para o processo de criação do artista (baseando-se na experiência da Ar.Co) do que da obra em si.

João Pais,
Selecção Caminhos