Discurso de Encerramento

Quando, há dias, Boa­ven­tura Sousa San­tos afir­mou que Coim­bra e a Uni­ver­si­dade sepa­ra­das estão con­de­na­das à medi­o­cri­dade pro­vin­ci­ana”, leva­ram-me estas con­si­de­ra­ções a pen­sar que a mesma medi­o­cri­dade é um risco que cor­re­mos se a cidade con­ti­nuar a virar as cos­tas às acti­vi­da­des cul­tu­rais mais emble­má­ti­cas da Asso­ci­a­ção Aca­dé­mica de Coim­bra.

É tam­bém neces­sá­rio ter pre­sente que não pode esta Asso­ci­a­ção Aca­dé­mica de Coim­bra con­ti­nuar a tra­tar todas as suas acti­vi­da­des cul­tu­rais à luz de um des­prezo, e de um rela­ti­vismo cul­tu­ral, que poten­cia pro­jec­tos de qua­li­dade duvi­dosa e des­cura os que pro­jec­tam a ima­gem desta cen­te­ná­ria asso­ci­a­ção. Haja cora­gem para o fazer, sob pena de, como no pas­sado, os mes­mos serem for­ça­dos a aban­doná-la.

Ao longo de dez dias con­se­gui­mos tra­zer a Coim­bra o melhor do cinema por­tu­guês! Apos­tando na diver­si­dade dos regis­tos e esti­los, pro­por­ci­o­nando a todos, ou aspi­rando a pro­por­ci­o­nar a todos, um palco. Um palco de cri­a­do­res, mas igual­mente um palco de público. Aquele público que nor­mal­mente dizem não exis­tir no cinema por­tu­guês e que esta semana pro­vou o con­trá­rio. Aquele público que as enti­da­des ofi­ci­ais des­cu­ram ao colo­car em risco este palco da cine­ma­to­gra­fia naci­o­nal e buro­cra­ti­ca­mente tolher as can­di­da­tu­ras! Dos fes­ti­vais, mas igual­mente dos fil­mes!

Ima­gine-se, garan­tem para o único fes­ti­val de cinema por­tu­guês, e para 2011, a décima parte daquilo que entre­gam a even­tos com públi­cos simi­la­res em Lis­boa e Porto. Mas os Cami­nhos, e gra­ças à equipa fan­tás­tica com a qual tive o pri­vi­lé­gio de tra­ba­lhar, con­tor­na­ram a situ­a­ção e demons­tra­ram (tal como alguns dos pre­mi­a­dos de hoje) que é pos­sí­vel tra­ba­lhar sem o seu apoio. A ques­tão que se coloca é só uma: Até quando? É dessa equipa de volun­tá­rios que este fes­ti­val vive, e atra­vés dela que per­mite a este público, que muito pre­za­mos, con­ti­nuar a assis­tir a este evento. Con­ti­nuar a dar-lhe força, no fundo a defen­der o cinema por­tu­guês!

A todos os que con­nosco tra­ba­lha­ram o meu mais sin­cero obri­gado. A todos os que nos apoi­a­ram com a pre­sença e as pala­vras ami­gas, espero que tenham gos­tado da pre­sente edi­ção e do seu con­junto de acti­vi­da­des. Só posso pro­me­ter que a par­tir deste momento esta­mos a tra­ba­lhar para come­mo­rar a nossa mai­o­ri­dade já em 2011!

Assim sendo, até já!