Discurso Encerramento

Falar de Cinema Por­tu­guês não é fácil e é ainda mais difí­cil quando nos colo­ca­mos num papel cen­tral de pro­mo­ção e divul­ga­ção. É ine­gá­vel que, ao longo dos últi­mos anos, temos assis­tido à sua lenta mas gra­dual popu­la­ri­za­ção estando esta, no entanto, longe de se equi­pa­rar ao reco­nhe­ci­mento que as con­gé­ne­res cine­ma­to­gra­fias euro­peias regis­tam.

Cre­mos que os Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês têm tido um papel cen­tral na região, e no país, con­tri­buindo para a divul­ga­ção do cinema por­tu­guês mas acima de tudo con­tri­buindo para a cri­a­ção de um espaço de refle­xão, debate e crí­tica que per­mita aos diver­sos inter­ve­ni­en­tes e ao público uma inte­rac­ção apro­fun­dada.

Somos o fes­ti­val que con­grega, em cada edi­ção, o con­junto de todos os géne­ros cine­ma­to­grá­fi­cos desde a longa-metra­gem à ani­ma­ção, per­mi­tindo atra­vés das dife­ren­tes sec­ções um acesso de todos os cri­a­do­res, sejam os mes­mos con­sa­gra­dos ou em iní­cio de car­reira. Este é um ele­mento essen­cial que con­fere iden­ti­dade ao evento e pro­jecto, e o dis­tin­gue dos fes­ti­vais exis­ten­tes no con­texto naci­o­nal. Acresce a isso a sua forte com­po­nente for­ma­tiva, seja com as cri­an­ças, sejam com os adul­tos, para­do­xal­mente esta, no seio de uma Uni­ver­si­dade que pouco espaço com­porta ao ensino prá­tico das artes, em geral, e do cinema, em par­ti­cu­lar.

O cinema por­tu­guês está vivo em Coim­bra, mas todo o papel e acção desem­pe­nha­dos pelo fes­ti­val têm sido tol­da­dos pela fraca expres­são do empe­nho e apoio por parte das dife­ren­tes enti­da­des sejam as mes­mas regi­o­nais ou naci­o­nais com res­pon­sa­bi­li­dade na pro­mo­ção da cul­tura, do cinema, da cidade e da região.
Ousa­mos e que­re­mos dis­cu­tir as polí­ti­cas cul­tu­rais exis­ten­tes, e exi­gi­mos que se colo­quem os empe­nhos em pers­pec­tiva daquilo que eles repre­sen­tam como pro­vei­tos para a cidade, região e país. Não pode­mos con­ti­nuar a assis­tir à selec­ção arbi­trá­ria do empe­nho onde, para alguns, só resta a boa von­tade.

No entanto a única coisa que pode­mos, é garan­tir que os Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês, ano após ano, tra­rão a Coim­bra o Melhor do Cinema Naci­o­nal.
Hoje fecha­mos a XVIII edi­ção dos Cami­nhos, na expec­ta­tiva de a vós público, mas tam­bém, a voz cri­a­do­res, ter pro­por­ci­o­nado a melhor expe­ri­ên­cia pos­sí­vel.

Por agora veja­mos os ven­ce­do­res e até à XIX edi­ção!