O Início!

Começa hoje, em Coim­bra, a 14ª edi­ção dos Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês”, fes­ti­val que se dedica a apre­sen­tar a melhor selec­ção de cinema por­tu­guês do ano que pas­sou. A mos­tra de fil­mes (50 no seu total, entre os quais se con­tam várias lon­gas-metra­gens, cur­tas-metra­gens, docu­men­tá­rios e fil­mes de ani­ma­ção) será feita no Tea­tro Aca­dé­mico Gil Vicente, onde cada um será apre­sen­tado e jul­gado por um júri, assim como pelo público espec­ta­dor, como é cos­tume neste evento.

É impor­tante ter-se em conta o papel do espec­ta­dor no cinema por­tu­guês nos dias que cor­rem. Infe­liz­mente, é notó­rio, no nosso país, o pro­blema da dimi­nui­ção de audi­ên­cias nas salas de cinema, sobre­tudo quanto aos fil­mes de pro­du­ção por­tu­guesa. No fundo, parece haver actu­al­mente uma falta de inte­resse pelo público por­tu­guês em rela­ção a ir ao cinema ver fil­mes por­tu­gue­ses.
Na ver­dade, excep­ci­o­nando-se alguns casos muito raros, os fil­mes de ori­gem por­tu­guesa, ape­sar dos supor­tes finan­cei­ros e publi­ci­tá­rios que rece­bem de várias orga­ni­za­ções, caso do ICAM – Ins­ti­tuto do Cinema Audi­o­vi­sual e Mul­ti­mé­dia, ou esta­ções de comu­ni­ca­ção social, como a RTP e a SIC, lutam para con­se­guir con­quis­tar o inte­resse de um público que, ao longo dos últi­mos anos, vem cada vez mais a dimi­nuir o seu número, dando pre­fe­rên­cia a fil­mes de ori­gem estran­geira, sobre­tudo fil­mes ame­ri­ca­nos, que enchem a mai­o­ria dos catá­lo­gos das salas exis­ten­tes em Por­tu­gal.
Por­que será que tal acon­tece? Afi­nal, não só nos devía­mos orgu­lhar do cinema que actu­al­mente é feito no nosso país, como deve­mos igual­mente apoiá-lo e mesmo apre­ciá-lo, como arte que é. Esse é exac­ta­mente o prin­ci­pal objec­tivo do fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês: aqui, a opi­nião do público importa, podendo mesmo aju­dar a trans­for­mar o cinema por­tu­guês, enca­mi­nhando-o para um futuro mais prós­pero.
De acordo com este tema, deixo a suges­tão final de assis­tir ao debate sobre Cinema Por­tu­guês: Público e Futuro?”, que mode­rado pelo Dr. Fausto Cru­chi­nho con­tará com a pre­sença de Pedro Efe, Artur Ribeiro e Manuel Mozos, cujo docu­men­tá­rio, Olhar o Cinema Por­tu­guês 18962006”, é exi­bido hoje, e con­se­quen­te­mente, pro­cu­rar assis­tir e par­ti­ci­par durante a semana deste fes­ti­val, de modo a poder apre­ciar e zelar pelo melhor do cinema por­tu­guês actual.