• Crónica Quando os Sentimentos

    - Crónica de Opinião -

    Quando os Sentimentos e as Ideias vão ao Cinema

    No constante deambular entre festivais e até chegar a Coimbra passei sucessivamente por San Sebastian, FIKE e Faial, por onde foi tema comum, ouvido de cineastas de todos os cantos do mundo, a escassez de dinheiro para a Cultura, o Cinema, a Vida. Mas isso não impediu ninguém de fazer filmes, mesmo que tivesse de transformar a família em equipa  de produção, como fez Bahman Ghobadi, ou andar a pedir de porta em porta, como me relatou uma jovem cineasta independente norte-americana.
    Em Portugal, há o ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual, cujos jurados cumprem directivas absurdas para tentar atribuir subsídios a produtores que se limitam a concorrer à “sopa dos pobres”, sem terem de apresentar resultados, nem justificarem o bom o mau resultado das obras produzidas que apenas os poderão penalizar no concurso seguinte.

    Para que a “velha guarda” continue a fazer os seus filmes, mesmo que (quase) ninguém os vá ver, ficam de fora os mais jovens que “ainda não deram provas” (e por esta via nunca darão) e não têm a sorte de ser produzidos por alguém com cotação elevada que, uma vez atingida, tem a vidinha garantida para si, a família e os amigos.

    Antes de vir para Coimbra, assisti no Faial à exibição duma encomenda da Casa de Serralves, “Os Painéis de São Vicente de Fora”, trabalho do quem lera referências elogiosas de figuras nobres da nossa crítica.No ecrã exibiu-se um dos piores actores portugueses da actualidade, tranvestido em São Vicente e pouco depois um Infante Dão Henrique, no corpo de Diogo Dória, rodeados dum conjunto de personagens de segundo plano que conseguiram desencadear sonoras gargalhadas da assistência ao longo dos 16 minutos em que se arrasta interminavelmente.

    O filme é uma tentativa de resposta à questão elevada e centenária do realizador sobre porque raio o Vicente aparece num dos dois painéis centrais com o livro fechado debaixo do braço e no outro com o livro aberto. O Faial ficou esclarecido e a comédia foi um pleno sucesso. O filme foi tema da noite a e a cerveja o resto.

    O filme não está presente nos Caminhos do Cinema Português, o que é lamentável, como não está o mais recente de Margarida Gil que não o inscreveu e critica desbragadamente em tudo quanto é blog público o desprezo a que foi votada, do mesmo modo que a produtora Marginal Filmes, agora abrilhantada com o Oliveira Jr. bancando de “sniper”, também acusa os “Caminhos” de terem cortado as pernas a Quero Ser Uma Estrela, potencialmente o “maior sucesso português do cinema de todos os tempos”.
    Ora isto é uma bolsito do chamado cinema português que, felizmente para todos nós, é algo mais do que isso.

    Foi exibido em Coimbra Um Funeral à Chuva, de Telmo Martins, de que ouvira referências muito pouco abonatórias, coisas do tipo “macaquearam os Amigos de Alex” e outras, embora estranhamente ocupe a terceira posição do box-ofice dos nacionais.
    Ora acontece que um filme sem o tradicional “chuto” de 700 mil euros, nem sequer um apoio (mínimo que fosse) à promoção e divulgação, o que faz sentido porque “já que não nos esfolaste o apoio à produção, também não te ajudamos a divulgar o filme”, encheu a sala do TAGV, viu a projecção premiada com aplausos & lágrimas, desencadeou uma hora de debate e projectou-se pela noite fora como uma super nova.

    Claro que agora a produtora terá de saldar a dívida perante a banca ao pesado juro que se sabe, verá o seu filme colectado em 3 vezes o IVA dum produto de consumo  normal e, ironia das ironias, descontar uma percentagem para o “apoio à produção audiovisual” de que não usufruiu!Estranhamente, os elementos presentes desabafaram sem lamechices, pretendem continuar a fazer filmes e, sublime milagre, por uma noite um filme sem o logótipo do ICA, levou sentimentos e ideias ao cinema.

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  • Crónica Caminhos Júniores”

    - Crónica de Opinião -

    Os mais novos ao cinema com os “Caminhos Júniores”. Começaram na manhã de segunda-feira, no TAGV, os “Caminhos Juniores” que decorrerão até dia 23 e levarão ao cinema cerca de 5000 crianças, muitas delas, para assistirem pela primeira vez às imagens em movimento, num grande ecrã.

    O programa para os mais novos foi objecto duma criteriosa selecção das muitas animações em que o nosso país é pródigo, um género em que surgem regulamento novos talentos e se vão somando os prémios conquistados em todo o mundo.

    Ao longo de uma hora, os jovens espectadores virão sucessivamente “Zé Pimpão, o Acelera” de André Letria, “Zé e o Pinguim” de Francisco Lança. “Mr. Cat” e “Mr. Cat II” de Maria Estrela Lourenço, “Ema e Guy” de Nuno Beato, “Um Gato sem nome” de Charlie Blue, “Voa, voa num prédio de Lisboa” de Joana Toste, “Os Irmãos Desastre III” de Vítor Lopes e “O Relógio de Tomás” de Cláudio Sá.

    Algumas destas animações integram a competição oficial, como é o caso de “Ema e Guy” ou “O Relógio de Tomás” ou “Voa, voa num prédio de Lisboa”, mas todas se reúnem a qualidade à indispensável adequação aos espectadores mais novos que também contam com outros atractivos como balões, fruta e chocolates, oferta de patrocinadores, numa operação coordenada por Lúcia Moutinho.

    Os jovens espectadores são alunos de escolas que, mediante marcação prévia, são trazidos até ao TAGV em autocarros alugados pela organização, com os apoios da Câmara Municipal de Coimbra e da empresa Transdev, transportadora oficial dos “Caminhos Júniores”. Esta operação que se tem vindo a afirmar desde há 7 anos no âmbito dos Caminhos do Cinema Português, visa formar novos públicos, abrindo o caminho futuro ao cinema português, ajudando a dar resposta à questão que o próprio presidente do ICA nos colocava no dia de abertura desta 17ª edição: “ganha a batalha da produção, só nos falta ganhar a do público”.

    Esta é uma das respostas possíveis, a resposta dos Caminhos do Cinema Português.

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  • Apresentação do Filme Berlarmino

    Fer­nando Lopes, um dos mais pro­e­mi­nen­tes cine­as­tas da gera­ção res­pon­sá­vel pelo movi­mento Novo Cinema Por­tu­guês” come­çou por ser um dos pio­nei­ros da RTP, onde desem­pe­nhou nume­ro­sas fun­ções ao longo de déca­das, estre­ando-se na rea­li­za­ção em 1961 com o docu­men­tá­rio As Pedras e o Tempo e sendo o seu mais recente filme Os Sor­ri­sos do Des­tino, de 2009.

    Ao que parece, come­çará a rodar lá para Março, sabe-se lá o quê, por­que não con­se­gue fazer 2 fil­mes pare­ci­dos, con­tando com 30 títu­los fei­tos ao longo de 48 anos, sob os temas mais diver­sos, mas sem­pre, sem­pre cm um incon­fun­dí­vel olhar à Fer­nando Lopes” que os segui­do­res da sua a obra conhe­cem e amam.

    Em 1972 fez um filme notá­vel que poderá ter, até hoje, a melhor foto­gra­fia a preto e branco do cinema por­tu­guês: Uma Abe­lha na Chuva, com a direc­ção de foto­gra­fia de Manuel Costa e Silva.

    Em 1964, fizera já o que é con­si­de­rado um docu­men­tá­rio de exce­lên­cia que se man­tém vivo, como se tivesse siso rodado ontem: Belar­mino, a his­tó­ria dum ex-boxeur, do per­curso desde engra­xa­dor de rua a cam­peão naci­o­nal e o seu regresso ao estado de misé­ria ori­gi­nal, como assa­dor de fran­gos na feira popu­lar, onde eu e o pró­prio Fer­nando Lopes, con­ver­sá­mos com ele pela última vez.

    O filme conta com uma infi­ni­dade de pecu­li­a­ri­da­des na ficha téc­nica e artís­tica, desde o ope­ra­dor de repor­ta­gens tele­vi­si­vas Augusto Cabrita, outro nome a reter na nossa memó­ria ciné­fila, ao pro­du­tor Antó­nio da Cunha Tel­les, de que ontem vimos O Cerco.

    Mas pas­sam por este docu­men­tá­rio nomes como as fadis­tas Maria Teresa de Noro­nha e Júlia Bui­sel, o sax barí­tono Jean Pierre Gebler, Manuel Jorge Veloso como autor da música, Fer­nando Matos Silva como rea­li­za­dor assis­tente, Elso Roque no depar­ta­mento eléc­trico e de câma­ras e até Bap­tista Bas­tos, como cola­bo­ra­dor.

    Mas o que faz de Belar­mino um tra­ba­lho soberbo é o pre­ci­oso olhar de Fer­nando Lopes e a ter­nura com que trata um loo­ser, eter­ni­zando-o na tela como, e repe­ti­mos o ex-boxeur que pode­ria ter sido grande”.

    Quem viu The Love­birds, de Bruno de Almeida, decerto reco­nhe­ceu a refe­rên­cia a Belar­mino, quando o agora actor Lopes, no papel de rea­li­za­dor, chora no ombro do pro­du­tor, inter­pre­tado por Joe Berardo, numa cena imper­dí­vel e mais do que justa home­na­gem ao docu­men­tá­rio que vão ver a seguir.

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  • Crónica Workshops”

    - Crónica de Opinião -

    Trabalha-se nos workshops dos “Caminhos do Cinema Português” e foram quatro os que permitiram a cerca de 70 participantes aumentarem os conhecimentos numa área da sua predilecção e praticarem nas matérias escolhidas.

    Coube a Hugo Moutinho o papel de formador em “Edição de Imagem”, onde se abordou a montagem edição não linear.
    Pretende-se que este seja um espaço de introdução às técnicas de montagem e edição não linear em que se pretende facultar ao formando noções introdutórias de programas como o Adobe Premiere, recorrendo a pequenos exercícios de edição. É objectivo do workshop a evolução através da edição prática dos programas, até à execução de exercícios avançados de montagem com transições e efeitos visuais.
    O workshop”Vídeo, Acção e Intervenção”, lança o desafio “Protesta, age e reage! Vem aprender”.

    E dá o mote do que se propõe fazer, esclarecendo que “O vídeo digital veio revolucionar a produção de novos conteúdos. As novas abordagens tecnológicas e os paradigmas de construção de uma obra cinematográfica serão os principais motes de uma formação orientada pelo realizador Miguel Marques. Da pré-produção, passando pela rodagem até à pós-produção, os formandos poderão contactar com o intenso mundo da produção profissional de cinema”.

    Com o workshop “Cinematografia em Cinema Digital”, cabe ao cinematógrafo Miguel Alves abordar a “Fotografia no Cinema”.
    A aquisição de imagens distingue a qualidade fotográfica de uma obra cinematográfica. Neste workshop, o formando tem contacto com os princípios básicos de fotografia aplicada ao cinema. Da relação entre a câmara e o argumento, até aos exercícios de design de iluminação, os formandos estão a adquirir uma sólida formação em cinematografia.

    Por fim, “Produção e Realização Vídeo” introduz os formandos à actividade de “produzir cinema em equipa”, sob a orientação de José Luís Gonçalves. A partir de um tema dado, os formandos são convidados a, em grupo, produzir uma curta-metragem de 3 a 5 minutos. Sendo o género livre, pretende-se que, no grupo, contactem com os vários processos inerentes à produção audiovisual, da escrita ao produto final, com o trabalho em equipa e a inerência de cada função.

    Com esta oferta de opções todas ligadas à essência do festival, o Cinema, os “Caminhos” cumprem uma função que deveria ser assumida em pleno por estruturas educativas, desde a escola primária, passando por autarquias e outras instituições.

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  • Crónica Retrospectiva

    - Cró­nica de Opi­nião -

    Como havia refe­rido, uma das van­ta­gens do Fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês é a visão abran­gente que este per­mite sobre o cinema naci­o­nal, seja atra­vés das crí­ti­cas e pré­mios que atri­buem aos melho­res fil­mes naci­o­nais fei­tos nos dias de hoje, seja ao for­mar os futu­ros cine­as­tas atra­vés dos vari­a­dos workshops que o CEC orga­niza, ou seja ainda pelo olhar que per­mite sobre o pas­sado do cinema por­tu­guês.

    Com efeito, esta semana têm-se rea­li­zado várias ses­sões de cinema (no TAGV, às 15:00) em que bri­lham sobre o grande ecrã as ori­gens do cinema con­tem­po­râ­neo por­tu­guês. É o caso de fil­mes como Sofia e a Edu­ca­ção Sexual”, a estreia do rea­li­za­dor Edu­ardo Geada, igual­mente res­pon­sá­vel por clás­si­cos como O Fune­ral do Patrão” e Pas­sa­gem por Lis­boa”. Tam­bém mere­cem des­ta­que rea­li­za­do­res con­cei­tu­a­dos como Antó­nio Pedro Vas­con­ce­los (um dos mais bem suce­di­dos comer­ci­al­mente nos dias de hoje, tendo em conta o sucesso de fil­mes da sua auto­ria como Os Imor­tais” e A Bela e o Papa­razzo”.. o Fes­ti­val tem a honra de exi­bir um dos seus pri­mei­ros tra­ba­lhos, a longa Per­dido por Cem..”) e Fer­nando Lopes (cujo filme que se exibe, inti­tu­lado O Cerco”, demons­tra a clara cru­eza das adver­si­da­des da vida e uma jovem heroína que bata­lha con­tra as mes­mas, temas que o rea­li­za­dor mais tarde viria a abor­dar em fil­mes como Kiss Me” e Pan­dora”).

    Mas sobre­tudo o ponto ven­ce­dor da lista de fil­mes que com­põem esta cele­bra­ção das ori­gens do cinema con­tem­po­râ­neo naci­o­nal é Belar­mino” (exi­bi­ção esta sexta-feira, dia 19), longa-metra­gem docu­men­tal da auto­ria de Fer­nando Lopes, que con­siste numa entre­vista de um pugi­lista em fins de car­reira. O docu­men­tá­rio é de grande impor­tân­cia his­tó­ria, não só quanto ao cinema, na medida em que o trans­fi­gu­rou numa ver­tente mais artís­tica (a foto­gra­fia do filme é feno­me­nal e das melho­res que se fez naquela época), como tam­bém na noto­ri­e­dade do nosso país, na medida em que ins­pi­rou vários cine­as­tas de renome inter­na­ci­o­nal a cri­a­rem o que aca­ba­ram por ser obras acla­ma­das. Ainda hoje, a força e o poder do docu­men­tá­rio se faz sen­tir, ao ponto que até mesmo a banda Linda Mar­tini usou ima­gens do filme para um dos vide­o­clips do seu último disco. Assim como o pró­prio Belar­mino, o filme está longe de ser uma relí­quia e é uma ver­da­deira ins­pi­ra­ção para que o cinema naci­o­nal avance, ape­sar das adver­si­da­des.

    Eis a grande van­ta­gem deste ciclo de cinema. Embora a grande mai­o­ria dos fil­mes sejam pro­ve­ni­en­tes da década de 70, a ver­dade é que ainda hoje são apre­ci­a­dos por mui­tos que deles reti­ram ins­pi­ra­ção, não neces­sa­ri­a­mente ao nível de his­tó­ria, mas à ver­tente inde­pen­dente e artís­tica, da qual o cinema por­tu­guês é orgu­lhoso repre­sen­tante. Longe de serem tra­lha nos­tál­gica, estes fil­mes são obras de arte repre­sen­tan­tes de um espí­rito cri­a­tivo de outrora que ainda hoje se faz sen­tir. Não devem ser esque­ci­das e mere­cem aten­ção e valor e, por isso, um grande aplauso é devido à orga­ni­za­ção do Fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês, por tra­zer tais fil­mes a um grande ecrã mais pró­ximo do público de Coim­bra.

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  • Crónica Caminhos Juniores

    - Cró­nica de Opi­nião -

    O Fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês preza-se muito não só pelo olhar que per­mite ao público de Coim­bra sobre o que se faz em ter­mos de cinema no nosso país, mas tam­bém pelo vis­lum­bre que per­mite sobre o res­pec­tivo futuro. De entre as várias acti­vi­da­des que o Fes­ti­val desen­volve, duas des­ta­cam-se na sal­va­guarda do futuro do cinema naci­o­nal.

    Para come­çar, des­ta­que vai para os Cami­nhos Juni­o­res, uma espé­cie de sub-fes­ti­val, com uma temá­tica mais apon­tada aos mais novos, que con­siste numa série de ses­sões mati­nais no TAGV, onde serão exi­bi­dos vários fil­mes, sobre­tudo cur­tas de ani­ma­ção, em que o público alvo são cri­an­ças dos 3 aos 10 anos. Esta ini­ci­a­tiva, que já se rea­liza há já vários anos (sem­pre no âmbito do Fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês), per­mite não só ali­men­tar o gosto pelo cinema dos mais novos, mas serve igual­mente para demons­trar os talen­tos de ani­ma­ção que se encon­tram no nosso país.

    De facto, ano após ano, é cada vez mais comum aos cine­as­tas por­tu­gue­ses vira­rem-se para a ani­ma­ção como género de pre­fe­rên­cia para expri­mir a sua ver­tente cine­má­tica cri­a­tiva. Assim, esta sec­ção do fes­ti­val serve de modo a dar a aten­ção devida a este género, que vai ganhando aten­ção de um público não só com­posto pelos mais novos, mas igual­mente por graú­dos. Porém, de se notar que o cinema que os Cami­nhos Juni­o­res pre­ten­dem pro­mo­ver não é exclu­si­va­mente de ani­ma­ção, con­tando tam­bém com mui­tas cur­tas de natu­reza edu­ca­ci­o­nal, que podem assim não só entre­ter os mais novos, mas tam­bém educá-los.

    Numa outra ver­tente, é impor­tante sali­en­tar os Ensaios Visu­ais, com­pe­ti­ção desen­vol­vida no âmbito do Fes­ti­val, em que são selec­ci­o­na­dos e exi­bi­dos uma série de tra­ba­lhos na área do audi­o­vi­sual, da auto­ria de alu­nos de várias gru­pos de for­ma­ção como o ESEC TV ou o ETIC_​. Embora não cum­prindo o for­mato tra­di­ci­o­nal do cinema e revis­tam uma natu­reza mais artís­tica e expe­ri­men­tal, estes tra­ba­lhos per­mi­tem sem­pre dar um indí­cio do melhor que se pode con­se­guir dos futu­ros talen­tos no campo do audi­o­vi­sual e, con­se­quen­te­mente, um bom pres­sá­gio para o futuro do cinema naci­o­nal.

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  • Informação Sessões e Actividades do Theatrix

    O Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra (CEC/AAC), enquanto entidade co-organizadora do Festival Caminhos do Cinema Português, foi informando verbalmente na madrugada do dia 17 de Novembro da intenção de quebra contratual por parte da Avenidartgest Lda, que gere o espaço denominado de Theatrix, com o cancelamento de todas as After Parties programadas para o espaço que acolhe o evento.

    Em reunião de direcção tida, entende o CEC/AAC que as razões avançadas pela administração do Avenidartgest Lda, como motivo do cancelamento, inviabilizam a continuação desta parceria, na medida em que os problemas ao nível das instalações sanitárias não podem colocar em causa um conjunto de actividades e deixarem de se constituir como motivo para a cancelamento de outras.

    Nesse sentido, entende o CEC/AAC que existe uma quebra de confiança, na administração do Avenidartgest Lda, e como tal todas as sessões de cinema agendadas para o espaço serão reprogramadas no decurso do festival para o Teatro Académico de Gil Vicente e Mini Auditório Salgado Zenha.

    Mais entende a direcção do CEC/AAC que foi gravemente lesada ao nível moral e material por esta quebra contratual, sendo que a imagem do evento foi seriamente colocada em causa pela unilateralidade desta decisão, que em nada favorece as intenções expressas publicamente pela administração do espaço.

    Entende a direcção do CEC/AAC prosseguir para a negociação de uma rescisão amigável do contrato de colaboração firmado com a Avenidartgest Lda, satisfeitos as cláusulas assinadas ao abrigo do referido contrato. Não descura igualmente o direito de agir judicialmente contra a Avenidartgest Lda, caso essa rescisão amigável não seja possível, pelos gastos financeiros efectuados na promoção do espaço e das actividades que foram canceladas.

    As sessões de cinema foram reprogramadas da seguinte forma:

    - A Secção Caminhos do Cinema Europeu e Ensaios Visuais serão realizadas nas datas e horários anteriormente delineadas, no Mini-Auditório Salgado Zenha na Associação Académica de Coimbra.
    - As sessões anteriormente agendadas para as 17h30 e 22h de Sábado dia 20 de Novembro e integrantes da Secção Competitiva serão exibidas na Terça-feira dia 23 de Novembro às 15h e 17h30 respectivamente, no Teatro Académico de Gil Vicente.

    Por último, a direcção do CEC/AAC informa que todos os esclarecimentos serão fornecidos aos órgãos de comunicação social sobre o processo que teve o seu desfecho de forma tão danosa para a XVII Edição dos Caminhos do Cinema Português.

     

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  • Crónica Novo Cinema Português”, porquê?

    - Crónica de Opinião -

     

    Num país sem condições para ter uma indústria de cinema, como afirmou recentemente Fernando Lopes, pode parecer estranho que tenhamos passado de pioneiros, quando Aurélio Paz dos Reis, conseguiu convencer os Lumière a venderem-lhe uma câmara em 1896, a um estado que mais do que sucessão de crises recorrentes, mais parece uma virose endémica, com breves períodos de tréguas na relação cinema/espectadores.

    Mas o certo é que os esforços se foram sucedendo ao longo dos 115 anos de vida do cinema para que o nosso país não tivesse uma cultura amputada da mais jovem e popular forma de arte, a mais democrática arte do século XX.

    Na época salazarista nasceram os estúdios Tobis, hoje em sérios riscos de encerrarem as portas, a despeito dos inúmeros movimentos que tentam salvar uma peça única do património nacional e de que os Caminhos já tiveram uma excelente visão, através do documentário “Tobis Portuguesa”, de Manuel Mozos e Pedro Éfe, dois nomes à margem de qualquer suspeita, na negociata que o eventual encerramento proporcionará. Esta edição dos Caminhos programou muito oportunamente a Retrospectiva Cinema Novo, com cinco filmes emblemáticos do movimento que mudou o curso da história do cinema em Portugal.

    Cortando radicalmente com uma cinematografia ao serviço do regime, assente basicamente em comédias para entreter o público, afastando-o dos reais problemas do país, um grupo de cineastas da geração de sessenta deu início a algo que mudaria definitivamente o rumo do cinema no nosso país.

    Foram pioneiros a ficção “Dom Roberto”, realizada por Ernesto de Sousa em 1962, e o documentário “Almadraba Atuneira”, realizado por António Campos em 1963.
    O primeiro contou com as participações de Raul Solnado, Nicolau Breyner e Rui Mendes, foi produzido através dum movimento cineclubista lançado pelo realizador através da revista Imagem, estreou no cinema Império em Lisboa a 30 de Maio de 1962 e obteve a consagração no Festival de Cannes de 1963, com um a Menção Especial do Júri.

    O segundo é um trabalho independente, dum cineasta que assim se manteria, abrindo uma excepção para a sua única ficção. “Terra Fria”, um filme menos conseguido porque “só sabia trabalhar sozinho ou em equipas mínimas”, com meios e a expensas próprias., chegando ao ponto de adquirir um furgão Citroën H do S.A.A.P., Serviço de Abastecimento de Peixe ao País, criado por Henrique Tenreiro, adaptando-o de modo a transportar o equipamento de filmagem, revelar a película e editá-lo, trabalhando em qualquer lado e exibindo o filme de imediato.

    A Retrospectiva Cinema Novo começou na passada segunda-feira com “Sofia e a Educação Sexual” de Eduardo Geada (1974), exibiu ontem “Brandos Costumes” de Alberto Seixas Santos (1975), hoje é a vez de “Perdido por Cem…” de António-Pedro Vasconcelos (1973), na quinta-feira será projectado “O Cerco” de António da Cunha Telles (1970) e fechará com chave de ouro, exibindo o documentário “Belarmino” de Fernando Lopoes (1964).

    À margem da competição e apresentados no início das sessões, quando os realizadores, o desejam, um ciclo absolutamente a não perder para quem queira saber como ganhou o cinema português um estatuto internacional, de que está longe de desfrutar dentro de portas.

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  • A Câmara Municipal de Coimbra congratula o Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra por mais uma edição deste importante festival. O certame, que, através do cinema português, promove as relações entre os estudantes e a cidade, irá oferecer, durante sete dias, um programa rico e variado, ao mesmo tempo que será um local único para debate, intercâmbio e reflexão. (…)

    Carina Gomes, Vereadora da Cultura do Município de Coimbra (2017)
  • A cidade de Coim­bra aco­lhe este ano o XXIII Fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês. Ao fim de 23 edi­ções pode­mos dizer que o Fes­ti­val já repre­senta uma marca incon­tor­ná­vel na vida cul­tu­ral da cidade e no pano­rama cine­ma­to­grá­fico naci­o­nal. O Fes­ti­val, pro­mo­vido pela Asso­ci­a­ção de Artes Cine­ma­to­grá­fi­cas de Coim­bra e do Cen­tro de Estu­dos Cine­ma­to­grá­fi­cos da Asso­ci­a­ção Aca­dé­mica de Coim­bra, cons­ti­tui-se como mos­tra da plu­ra­li­dade do Cinema português, garantindo o reconhe­ci­mento artís­tico e popu­lar do tra­ba­lho que se vai desen­vol­vendo e a neces­sá­ria reno­va­ção da sétima arte em Por­tu­gal.

    Eduardo Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República (2017)
  • Cinema por­tu­guês é sinó­nimo de diver­si­dade e qua­li­dade: de auto­res, de géne­ros, de temas, de abor­da­gens téc­ni­cas, de lin­gua­gens e de pro­fis­si­o­nais do setor. É nes­tas carac­te­rís­ti­cas que o Cinema, enquanto parte da iden­ti­dade cul­tu­ral por­tu­guesa, reflete a impor­tân­cia de enten­der a Cul­tura como um valor trans­ver­sal, de acesso demo­crá­tico. O fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês tem vindo a con­so­li­dar a sua impor­tân­cia como cata­li­sa­dor destes prin­cí­pios, ao demo­cra­ti­zar o acesso à Cul­tura, des­cen­tra­li­zando a sua oferta e con­tri­buindo para a cons­tru­ção de novos públi­cos, cada vez mais inte­res­sa­dos, infor­ma­dos e exi­gen­tes. Este é o 23º ano em que, atra­vés deste Fes­ti­val, a diver­si­dade e a qua­li­dade do cinema naci­o­nal se reú­nem num espaço comum, mos­trando que os mui­tos cami­nhos da cine­ma­to­gra­fia podem con­ver­gir num único ponto de encon­tro, onde todo o cinema é por­tu­guês.

    Luís Castro Mendes, Ministro da Cultural (2017)
  • O fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês exerce uma fun­ção essen­cial no cinema por­tu­guês, quer divul­gando a pro­du­ção exis­tente quer abrindo cami­nho a novos inte­res­sa­dos nesta ati­vi­dade, que é tão poten­ci­a­dora da dinâ­mica de uma soci­e­dade que tem de ser pro­a­tiva. Estou certo que esta edi­ção vai estar à altura desta mis­são, abrindo mais por­tas, sem­pre renovadas.

    João Gabriel Silva, Magnífico Reitor da Universidade de coimbra
  • (…) Des­ta­cando-se pelo impor­tante papel que tem vindo a desem­pe­nhar enquanto des­cen­tra­li­za­dor do acesso à cul­tura, aquele que, na sua 23.ª edi­ção, se apre­senta ainda como o único fes­ti­val dedi­cado a todo o cinema por­tu­guês, é hoje um acon­te­ci­mento incon­tor­ná­vel e imper­dí­vel no pano­rama dos fes­ti­vais de cinema em Por­tu­gal. O fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês reveste-se de grande sin­gu­la­ri­dade, pau­tada pelo pro­fis­si­o­na­lismo de todos os que o com­põem e que se reflete na qua­li­dade da pro­gra­ma­ção que ano após ano tem vindo a apre­sen­tar. Sem esque­cer o con­tri­buto que este fes­ti­val tem dado ao debate e à dis­cus­são sobre o Cinema (pela orga­ni­za­ção do Sim­pó­sio) ou a sua aposta na for­ma­ção (com o curso Cine­ma­lo­gia e os fru­tos que daí já reco­lheu), é com enorme satis­fa­ção que, mais uma vez, faze­mos parte desta concretização.(…)

    Luís Chaby Vaz, Presidente do Conselho de Administração do Instituto do Cinema e Audiovisual IP
  • (…) Esta­mos, por­tanto, mais do que nunca da impor­tân­cia sen­sí­veis à impor­tân­cia da Indús­tria Cine­ma­to­grá­fica na pro­mo­ção turís­tica de um des­tino, em par­ti­cu­lar, do Cen­tro de Por­tu­gal. O mesmo o com­prova, por um lado, a recente cri­a­ção da Cen­tro Por­tu­gal Film Com­mis­sion – que pos­si­bi­li­tará unir von­ta­des e criar uma rede inte­grada e pro­fis­si­o­nal, para posi­ci­o­nar o Cen­tro de Por­tu­gal a nível inter­na­ci­o­nal como uma das regiões euro­peias que mais van­ta­gens com­pe­ti­ti­vas pode ofe­re­cer à indús­tria do cinema -, e, por outro lado, a rea­li­za­ção de fes­ti­vais de pres­tí­gio e renome, tais como, o Fes­ti­val Cami­nhos Cinema Por­tu­guês.(…)

    Pedro Machado, Presidente da Entidade Regional Turismo do Centro de Portugal (2017)
  • (…) É – sempre foi, aliás – no ambiente informal e de camaradagem entre realizadores, actores, técnicos, cineclubistas, público, imprensa e equipa dos Caminhos que reside o seu charme e, quiçá, a razão principal para a sua longevidade. Isto porque não foi fácil criar, quanto mais manter vivo, um festival dedicado em exclusividade ao Cinema Português, com todas as condicionantes conhecidas (diríamos antes “estruturais”) a que o festival soube sempre responder com a sua criatividade e perseverança, sempre com a simpatia com que trabalha a equipa dos Caminhos do Cinema Português, que, assim, está redobradamente de parabéns por mais esta concretização.(…)

    Paulo Martins, Vice-Presidente da Mesa da Assembleia da FPCC (2017)
  • Se os “Caminhos do Cinema Português” fossem um filme (ou um conjunto de filmes) e fazendo uma retrospetiva rápida, podemos olhar para os primeiros anos como curtas metragens, para a consolidação do festival como longas metragens e, atualmente, podemos considerar que estamos na presença de uma saga de culto com vários episódios. Nesta 23ª edição, haveria já direito a uma “box premium” com espaço para os vários extras que os Caminhos (como quem acompanha gosta de chamar) já comportam, além do Festival: o Ciclo Fusões, o Simpósio, o curso Cinemalogia... Os cenários onde se desenrola esta saga alargaram-se, e bem, para fora de Coimbra, epicentro dos Caminhos. Mais um sinal de crescimento. Mais há outros sinais bem interessantes a acompanhar a resiliência e porfia deste Festival – a cidade e a região têm sido intensamente procuradas para a produção cinematográfica. Estaremos num momento de viragem? Se se verificar que sim, seguramente que os Caminhos desempenharam um importante papel. Um papel químico, se quiserem, de elemento que revela os efeitos da luz. Com a química a encontrar a magia, como na origem do cinema.

    Clara Almeida Santos, Vice-Reitora para a Cultura e Comunicação da Universidade de Coimbra (2017)