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Pensamentos Parados com Jorge Pelicano e Miguel Borges


O serão de domingo, dia 17, foi passado na companhia das curtas “Os meninos do Rio”, “Miami” e “Imaculado” e com o documentário “Pára-me de Repente o Pensamento”, exibidos pelas 22h no âmbito do Festival Caminhos do Cinema Português no TAGV e contou com a presença do realizador Jorge Pelicano e do actor Miguel Borges.

“Tentámos rir com eles e não rir deles”, diz Jorge Pelicano em relação ao documentário que realizou, “Pára-me de Repente o Pensamento” que retrata a vida dos doentes psiquiátricos do Centro Hospitalar Conde Ferreira, localizado no Porto. Garante ainda que “poderíamos incluir mais cenas de rir mas este devia ser um filme de equilíbrio”. Este documentário cruza arte com esquizofrenia e fez com que o público não só risse como ficasse apreensivo com o tema veiculado pelo filme, como ficou claro nas opiniões apresentadas no debate final com Jorge Pelicano e Miguel Borges. “Estive lá três semanas e foi dos sítios onde dormi melhor”, refere Miguel Borges sem se querer restringir a ‘clichês’, “é um micromundo perfeito e funciona muito bem. Senti muito amor e entreajuda”. Durante o filme, o protagonista vai construindo uma personagem de teatro numa relação intrínseca com o poema de Ângelo de Lima, cujo primeiro verso deu nome ao documentário e descreve a doença esquizofrénica do poeta.

Dedicada “às meninas que nunca gostaram de mim e nunca irão gostar”, a curta realizada por Javier Macip, “Os Meninos do Rio”, conta a história de um amor juvenil entre Leo, um rapaz tido como covarde, e Samira, que o ajuda a lidar com essa pressão por parte dos colegas.

Em “Miami”, de Simão Cayatte, somos confrontados com uma adolescente que busca alcançar a fama, tornando-se psicoticamente obcecada por o conseguir.

Realizado e protagonizado por Gonçalo Waddington, “Imaculado”, toma lugar num meio rural e faz-nos sentir a forma como Gonçalo lida com o estranho fenómeno que acontece com o seu corpo.

As produções cinematográficas foram bem recebidas pelo público, honradas com salvas de palmas e com questões no final da sessão. De novo, foram distribuídos boletins de voto ao público para que avaliasse as obras visualizadas de modo a eleger o Prémio do Público, “Chama Amarela”.

Por Claudia Carvalho Silva
Fotografia de Lia Ferreira