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Primeira sessão dos Caminhos Seniores com perdidos e achados e modas alentejanas

A XX edi­ção do Fes­ti­val Cami­nhos do Cinema Por­tu­guês teve esta segunda-feira, 17, a sua pri­meira ses­são dos Cami­nhos Seni­o­res. Com iní­cio às 17h30m, foi inau­gu­rada com um momento de poe­sia em home­na­gem a Manuel de Cas­tro, escri­tor por­tu­guês, fale­cido em 1971. Após a decla­ma­ção de excer­tos dos seus poe­mas, incluindo a refe­rên­cia à sua obra mais conhe­cida, Para­lelo W, teve iní­cio a ses­são.

Coisa de Alguém”, da auto­ria de Susanne Malorny, é uma curta-metra­gem fil­mada na Sec­ção de Acha­dos da PSP dos Oli­vais, em Lis­boa. Num breve dis­curso de intro­du­ção à curta, a rea­li­za­dora resu­miu-a como sendo um retrato do que acon­tece com coi­sas do quo­ti­di­ano que per­de­mos e gos­ta­mos de encon­trar”. E den­tro do con­ceito coi­sas” a nossa ima­gi­na­ção não deve ter limi­tes: desde cha­ves de casa ou do carro, ócu­los, mochi­las com lan­ches, peças de roupa, reló­gios a exa­mes médi­cos, de tudo vai parar àquela sec­ção de acha­dos. Nem tudo, no entanto, é recla­mado, aca­bando por ir a lei­lão público pas­sa­dos 12 meses de esta­dia nas api­nha­das pra­te­lei­ras que os agen­tes da PSP vão iden­ti­fi­cando por meses e anos. Resu­mi­da­mente, de forma cari­cata, a curta-metra­gem revela os bas­ti­do­res de um árduo tra­ba­lho de iden­ti­fi­ca­ção de todos os obje­tos pes­so­ais per­di­dos na Car­ris e naquela zona da capi­tal e que ali vão sendo entre­gues.

Ao som de Grân­dola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, Alen­tejo, Alen­tejo” leva-nos a recuar no tempo e a conhe­cer, durante pouco mais de hora e meia, as modas, os cos­tu­mes, as memó­rias e a gas­tro­no­mia alen­te­ja­nas. O docu­men­tá­rio de Sér­gio Tré­faut é tam­bém um retrato, na pri­meira pes­soa. Relem­bra-se a agri­cul­tura e as prá­ti­cas que se foram per­dendo, o peri­goso tra­ba­lho dos minei­ros das Minas de Aljus­trel, a fome que se pas­sava mas, sobre­tudo, os tem­pos difí­ceis mas feli­zes, que já lá vão”: difí­ceis pela misé­ria e difi­cul­da­des que se pas­sa­vam; feli­zes por­que eram dias pas­sa­dos a can­tar”. As modas agora são outras: tec­no­lo­gias, máqui­nas a subs­ti­tuir o Homem, exces­sos e uma crise que já tem direito a can­tiga”. Mas uma coisa orgu­lha estes habi­tan­tes: o povo alen­te­jano afirma ser dotado de um DNA mar­cado desde a infân­cia”, uma iden­ti­dade única de cos­tu­mes, de gas­tro­no­mia, com a sua famosa açorda, e pelo tra­ba­lho no campo, no cul­tivo do arroz, da azei­tona e na extra­ção de cor­tiça.

A ses­são decor­reu perante uma pla­teia, mai­o­ri­ta­ri­a­mente, idosa que, entre gar­ga­lha­das e cons­tan­tes comen­tá­rios posi­ti­vos, aplau­diu a exi­bi­ção dos dois tra­ba­lhos.

Texto: Mari­ana Ribeiro
Foto: Sér­gio Rebelo