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Retrospectiva Salomé Lamas no Ciclo “20 Anos de Cinema Português”


A última sessão do Ciclo 20 Anos de Cinema Português é dedicada à realizadora Salomé Lamas. Salomé Lamas (1987, Lisboa) estudou Cinema em Lisboa e em Praga, tirou um MFA em Amesterdão e é doutoranda em estudos fílmicos na Universidade de Coimbra. O seu trabalho tem-se centrado na imagem em movimento e sido exibido tanto em espaços artisticos como festivais de cinema. Após realizar algumas curtas, a sua primeira longa-metragem TERRA DE NINGUÉM estreou internacionalmente na Berlinale (Forum) e foi exibida em vários outros festivais.Lamas é bolseira da MacDowell Colony, do Rockefeller Foundation Bellagio Center, e da DAAD Berliner Künstlerprogramm.

A exibição terá lugar no dia 9 de Julho às 22:00 no Mini-Auditório Salgado Zenha.

TERRA DE NINGUÉM
HD, 72', color, stereo, PT, 2012

Uma sala vazia e uma cadeira. Neste lugar de ninguém, José Paulo Sobral de Figueiredo vai descrevendo a sua vida como comando, mercenário e sem-abrigo. Na juventude, durante a Guerra Colonial em Moçambique e Angola, foi um implacável soldado de elite que sentia prazer na morte a sangue-frio. Após a revolução, trabalhou como guarda-costas em Portugal e, mais tarde, como um mercenário da CIA em El Salvador, para finalmente terminar como um dos assassinos a soldo da GAL (Grupos Antiterroristas de Liberación), participando em vários ataques a membros da ETA. Paulo oferece retratos sublimados das crueldades e paradoxos do poder, assim como das revoluções que o depuseram, apenas para erguer novas burocracias, novas crueldades e paradoxos. O seu trabalho como mercenário encontra-se na franja destes dois mundos.

A mercenary sits in silence on a chair placed in an abandoned palace in Lisbon, as if posing for a portrait. Facing the camera, he begins narrating and performing his own history, constructing a record which slowly reveals in its turns of phrase and mismatched events a series of doubts and contradictions. The camera watches, relentlessly. Paulo narrates his involvement as a hired killer for special military forces during the Portuguese colonial war, the part he played in the GAL (Antiterrorist Liberation Group), a death squad illegally established by the Spanish government to annihilate high officials of ETA, and his work as a mercenary for the CIA in El Salvador. Rather than being interested in affirming the veracity of the historical record or in proving an official narrative, No Man’s Land dwells in the present moment of witnessing, the space inhabited by the performance of a memory. Refusing to linger on a static moral duality, throughout the film accuser and accused are frequently asked to change positions – at a certain point, after describing a series of crimes he committed, responding to a question by the director Paulo replies with one of his own “How much is worth the life of a man? A man like me or men like them?” As the film’s own processes of making are slowly revealed, No Man’s Land creates a set or a stage where information or document are peripheral to the question of how one plays out and affirms as history his own personal truth.

Realização / Direction
Argumento /Screenplay
Intérprete / Cast
Direcção de Fotografia / Direction of Photography
Mistura de Som / Sound Editor
Montagem / Editing
Correcção de Cor / Colour Grading
Produção / Production
Produtor / Producer
Salomé Lamas
Salomé Lamas
Paulo de Figueiredo
Takashi Sugimoto
Bruno Moreira Dias
Telmo Churro
Paulo Américo
O Som e a Fúria
Sandro Aguilar e Luís Urbano

ENCOUNTERS WITH LANDSCAPE 3X
HD, 29', color, stereo, PT, 2012


No final de 2011 cheguei a Sete Cidades (Açores). Recordei a ideia de Kant sobre o sublime. O sublime é o “incomensurável”. Este concebe a compreensão do corpo prévia á medida matemática. É aqui que a medida estética (a medida do corpo) atinge o seu expoente máximo. O sublime tem lugar quando a medida humana é destronada i.e. quando o corpo experimenta a ideia de ser engolido por uma montanha imaginária. Para que esta experiência se concretize: sensibilidade, corpo, humanidade e finitude são características necessárias. Numa tentativa de filmar a paisagem, apercebo-me da capacidade de intelectualização do sublime mas não o sinto. Falta de sensibilidade?

In late 2011 I arrived in Sete Cidades, Azores. I recalled Kant’s ideas on the sublime. We experience the sublime when our imagination fails to comprehend the greatness of natural events, in the process of determining concepts of understanding, but supplants this failure with a delight stemming from its ability to grasp these aspects of nature by virtue of an idea of reason. That idea appropriates the supersensible and human moral nature. To experience the sublime sensibility, a body, being human and being finite are preconditions. Was it a lack of sensibility?
While filming I felt the urge to formalize landscape through language games. It is the sight that makes things valuable. Encounters with Landscape 3x happens to be this exercise. Landscape becomes a dangerous playground. When one is young one is daring and stupid, you grow older and you tend to lose the daringness and get less stupid. We change the rules as we go along.

Realização / Direction
Argumento /Screenplay
Intérprete / Cast
Direcção de Fotografia / Direction of Photography
Som / Sound
Montagem / Editing
Produção / Production
Salomé Lamas
Salomé Lamas
Salomé Lamas
Luísa Homem e Frederico Lobo
Salomé Lamas
Salomé Lamas
Salomé Lamas

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