Aprender com o cinema: da narrativa à didática

doutor luís marques alves; doutor pedro alves

As ques­tões rela­ci­o­na­das com o Cinema, prin­ci­pal­mente no que se refe­rem ao seu pro­cesso evo­lu­tivo, têm sido alvo da aten­ção dos mais diver­sos espe­ci­a­lis­tas: his­to­ri­a­do­res, soció­lo­gos, crí­ti­cos da sétima arte, aman­tes do Cinema. Não é pro­pri­a­mente novi­dade o inte­resse, por vezes apai­xo­nado, que o Cinema con­se­gue con­gre­gar em seu redor.

Duas lei­tu­ras pos­sí­veis pre­ten­de­mos par­ti­lhar: por um lado a espe­ci­fi­ci­dade da cons­tru­ção nar­ra­tiva cine­ma­to­grá­fica e as suas reper­cus­sões soci­ais e indi­vi­du­ais. Nesta ver­tente é impor­tante saber o que a visu­a­li­za­ção e aná­lise de um filme pode tra­zer à iden­ti­dade de cada um. O cru­za­mente entre fic­ção e rea­li­dade é hoje um objeto cien­tí­fico sus­ten­tado e supor­tado por teses aca­dé­mi­cas recen­tes. Par­ti­lha­re­mos uma delas.

Por outro, e tal­vez exa­ta­mente por isso, é inques­ti­o­ná­velo o sig­ni­fi­cado didá­tico e peda­gó­gico que o recurso cinema” pode assu­mir e, em par­ti­cu­lar, na aula de His­tó­ria. tam­bém aqui divul­ga­re­mos os resul­ta­dos de um pro­jecto de dou­to­ra­mento recente que pro­cu­rou com­pre­en­der as van­ta­gens e o alcance que o filme, enquanto fer­ra­menta edu­ca­tiva, con­se­gue adqui­rir em con­texto de sala de aula.

Para­le­la­mente, assiste-se ao apa­re­ci­mento de pro­jec­tos que se debru­çam sobre esta temá­tica, nas mais vari­a­das áreas. Sali­en­ta­re­mos o pro­jeto Cinema, Didá­tica e Cul­tura” que pre­tende loca­li­zar-se na inter­cep­ção dos sabe­res his­tó­rico, soci­o­ló­gico e peda­gó­gico-didác­tico, e que reúne na sua esteira inves­ti­ga­do­res des­tas áreas de uni­ver­si­da­des por­tu­gue­sas e espa­nho­las. Con­si­dera-se tam­bém impor­tante, neste con­texto, des­ta­car uma ini­ci­a­tiva recente que apro­funda o inte­resse por esta rela­ção cinema-público(s). Refe­rimo-nos ao Plano Naci­o­nal de Cinema que, à seme­lhança do que já foi feito com o Plano Naci­o­nal de Lei­tura, sig­ni­fica um passo, no sen­tido de esti­mu­lar e moti­var pro­fes­so­res e alu­nos para a vul­ga­ri­za­ção desta fer­ra­menta em con­texto esco­lar.

Com estas três entra­das – a espe­ci­fi­ci­dade da nar­ra­tiva cine­ma­to­grá­fica, a uti­li­za­ção didá­tica e a for­ma­ção de públi­cos – pro­cu­ra­re­mos par­ti­lhar algu­mas ideias que são cami­nhos recen­tes aber­tos e tri­lha­dos pelos pro­po­nen­tes deste resumo.